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Visita a um fragmento de florestas do Mato Grosso de Goiás – junho de 2024

 Entre 19 e 25 de junho de 2024, estive uma vez mais na região de Pirenópolis, Goiás, em meu caminho para o estado do Mato Grosso. Baseado n...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

EXPEDIÇÃO À TRÍPLICE DIVISA: MATO GROSSO DO SUL – GOIÁS – MATO GROSSO - outubro de 2018



Acima – O autor Orlando Graeff fotografando o cânion do Alto Taquari, próximo a Costa Rica, MS


Tendo deixado a Serra da Canastra, em Minas Gerais (ver postagem anterior - https://expedicaofitogeografica2012.blogspot.com/2018/11/nova-visita-serra-da-canastra-minas.html), cheguei à região almejada nesta expedição ao Centro-Oeste: o extenso planalto que congrega a divisa entre os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, elevando-se em cerca de 800m acima do nível do mar. A cidade de Chapadão do Sul, MS, foi minha porta de entrada nesta admirável região, onde fui gentilmente acolhido pela Bióloga Lucinéia Freitas Pires e pelo Engenheiro Agrônomo Emerson Ferreira Andrade, que me cumularam atenção, durante toda minha passagem e me abriram portas a diversas oportunidades de contato com a natureza local e com a comunidade acadêmica sul-mato-grossense. Somente poderei agradecer a eles por tudo que fizeram para tornar mais proveitosa minha visita aos ecossistemas deste valioso pedaço do Cerrado.

Sediado na cidade de Costa Rica, cerca de 60km distante da primeira e também pertencente ao estado do Mato Grosso do Sul, tive oportunidade de examinar detalhadamente o vale do rio Sucuriu, tributário da margem direita do rio Paraná; além das vertentes do Alto rio Taquari, tributário do Pantanal / rio Paraguai; e também o Parque Nacional das Emas, no vizinho estado de Goiás, que será contemplado com uma postagem seguida a esta. Costa Rica já havia sido por mim visitada, em (ver postagem - https://expedicaofitogeografica2012.blogspot.com/2012/07/uma-visita-costa-rica-no-mato-grosso-do.html ), ocasião em que realizei reconhecimento geral, na companhia então do saudoso guia Valdir Justino de Almeida . Daquela primeira expedição, me despertara a vontade de examinar melhor a região à qual dediquei capítulos substanciais de meu livro FITOGEOGRAFIA DO BRASIL – UMA ATUALIZAÇÃO DE BASES E CONCEITOS (NAU Editora, 2015 - vendas pelo site www.naueditora.com.br).

No primeiro bloco de atividades, no dia 01 de outubro de 2018, percorremos as nascentes do rio Sucuriu, próximo aos limites do Parque Nacional das Emas, perímetro amplamente ocupado por lavouras extensivas, mas que ainda resguarda importantes fragmentos de vegetações ribeirinhas. Contamos com a orientação do guia Fabiano Ramos, que foi determinante na localização de pontos de interesse científico e geográfico, que são comentados a seguir, através das imagens fotográficas apresentadas:

A Seguir – As cercanias da cidade de Costa Rica são verdadeiro paraíso de paisagens ligadas às cachoeiras do rio Sucuriu, que propiciam excelente destino turístico, mas também servem para se interpretar importantes aspectos da história geológica-geomorfológica do Planalto Brasileiro



Acima – A bromélia Aechmea distichantha é elemento característico tanto das florestas da Bacia do Paraná, a leste/sudeste, quanto do domínio do Chaco, a oeste/sudoeste. Nas margens do Sucuriu e seus tributários, encontramos esta bela forma da planta

Acima – Magnífico salto do rio Sucuriu, que nasce muito perto dos limites goianos do Parque Nacional das Emas


Adiante – Em seu curso mais alto, o rio Sucuriu escorrega por notáveis afloramentos de arenitos e lateritos frágeis, que vêm lhe determinando níveis acelerados de erosão remontante. Em suas margens, neste trecho, predominam elementos florísticos do Cerrado, em vista de sua gradativa proximidade com um dos mais genuínos fragmentos deste domínio de paisagem, que é o Parque das Emas, a norte

Acima – Aechmea bromeliifolia (família Bromeliaceae) que caiu ao solo e passou a vegetar sobre ele, mostrando notável adaptabilidade

Acima – Aechmea tocantina é uma bromélia muito dispersada entre o sul de Goiás / Mato Grosso do Sul e o norte do Mato Grosso, adentrando o Pará e o Amazonas. No alto rio Sucuriu, próximo ao Parque das Emas, é elemento importante da flora epifítica
Abaixo – Detalhe de uma grande soqueira de Aechmea tocantina sobre o leito do Sucuriu


Acima – Orlando Graeff examinando a bromélia Aechmea tocantina, no rio Sucuriu

Acima – Dyckia aff. silvae Costa Rica

O gênero Dyckia da família Bromeliaceae representa importantíssimo referencial botânico a marcar a história natural Quaternária deste setor do país. Em nossa expedição, encontramos diversas populações disjuntas delas, que vêm sendo registradas, cuidadosamente. Esta planta acima, com delicadas flores amareladas, foi observada sobre rochas das margens do rio Sucuriú e apontada pelo naturalista Walter Miguel Kranz como sendo Dyckia aff. silvae, que lhe apôs o epíteto "Costa Rica”. Kranz é diligente investigador do gênero e tem viajado com frequência pelo MS, GO, MT e outros estados, atrás de informações sobre essas plantinhas misteriosas


A Seguir – A interposição entre áreas secas e saturadas é mesmo determinante no surgimento de paisagens arborizadas e campestres, exatamente como temos postulado, no âmbito de nossa obra FITOGEOGRAFIA DO BRASIL (NAU Editora, 2015), e essa era uma das missões, nesta expedição: conferir mais uma vez nossas hipóteses fitogeográficas. As imagens abaixo dão conta de importantes aspectos, neste sentido

Acima – Essa curiosa espécie de Miconia (família Melastomataceae), de índole palustre, acompanhava quase que exclusivamente a distribuição de áreas alagáveis, no alto curso do rio Sucuriu

Abaixo – Largos campos de murundus abrigavam essa bela Miconia sp., com suas flores alvas, formando admiráveis quadros paisagísticos, nas cabaceiras do rio Sucuriú, já muito próximo à divisa com Goiás e com o Parque Nacional das Emas


  Acima – Varjões inundáveis das cabeceiras do rio Sucuriu


Acima – Águas marrons mostram alta carga de matéria orgânica dissolvida, nos varjões do alto rio Sucuriu, com provável governo de lateritos ou protolateritos no subsolo.

Acima – O pindaival, que são agrupamentos densos de pindaívas-retas (Xylopia emarginata – fam. Annonaceae), costuma evidenciar a presença de canais de drenagem natural dos varjões do Centro-Oeste


O segundo bloco de nossas atividades orientou-se para as vertentes do Alto Taquari, a cerca de 50km de Costa Rica, voltadas ao Pantanal Mato-Grossense e que representavam um dos maiores interesses de minha passagem pela região. A visita à região tinha como objetivo central o exame in loco da geomorfologia do sistema de chapadões e pediplanos, que originaram a paisagem botânica da tríplice divisa de estados. Tais aspectos geomorfológicos contribuíram, de um lado, para a formação de extensas superfícies de cimeira planáltica que se distribuem entre os três estados e que lhes contemplou determinante parque produtivo agrícola; e de outro, na direção oeste, a formação do maior leque aluvial do planeta – o Leque Aluvial do Rio Taquari, que compõe um dos mais deslumbrantes e diversificados conjuntos de paisagens do Pantanal, dividindo-se entre as sub-regiões do Paiaguás e Nabileque. Sob este enfoque, o reexame do Parque Nacional das Emas, a ser relatado na próxima postagem, seria igualmente importante.

Participaram desta excursão, além dos integrantes daquela da véspera, pelo rio Sucuriú, o talentoso fotógrafo de vida silvestre José Alberto Miranda – o Jota – e o Agrônomo Emerson F. Andrade.  Foi escolhida uma linha de cumeada de um dos morros-testemunho do “cânion” do Alto Taquari. A meseta foi investigada, de uma ponta a outra, não sem extremo sacrifício, em face do calor escaldante que marcou todo o Centro-Oeste, naquele dia, fazendo-nos sofrer bastante, quando tivemos o sol a pino sobre nossas cabeças. Mas, nada deteria um grupo tão coeso no intento de examinar palmo a palmo as cabeceiras do maior leque aluvial do planeta: o Leque Aluvial do Taquari, que se estendia por quase seiscentos quilômetros, dali até a margem do rio Paraguai, na vertente boliviana do Pantanal. A série de fotos a seguir poderá mostrar apenas parte do tesouro de aspectos naturais que tivemos à nossa frente, nessa magnífica excursão.

A Seguir – O cânion da cabeceira do rio Taquari, próximo a Costa Rica, corresponde à fronteira natural entre as extensas superfícies de cimeira planas Cretáceas e as profundas depressões erosivas de idade Quaternária, que originaram o Pantanal, centenas de quilômetros abaixo, no sentido oeste. Essas admiráveis paisagens de pediplanos exibem, de forma dramática, a história geomorfológica da região




Acima – Essa longa mesa erodida, que exibe claramente a longa operação de megaprocessos de erosão diferencial, foi palco de nossa excursão, num dia ensolarado e muito quente, em que vasculhamos essa cumeada, de uma ponta a outra, examinando cada um de seus patamares, com vegetações características e flora incrivelmente conservada

Acima – Sobre a linha de cumeada da longa formação tabuliforme, impera vegetação de cerrados rupestres, com fisionomia entre arbustiva e arbórea pobre, assentada sobre terrenos clásticos, que pouco mais exibe que pedaços de rochas de arenito fragmentado


Adiante – Nas bordas de rocha arenítica exposta, que ainda retém massas de solos e regolitos decadentes, vegetam mais bromélias do gênero Dyckia, de que falamos antes, e que seguem sua misteriosa dispersão testemunhal de duros tempos Terciários e Quaternários inferiores. Walter Miguel Kranz, conhecedor de suas rotas migratórias pretéritas, afirmou se tratarem essas plantas afins a Dyckia grandidentata, que denominou então Dyckia aff. grandidentata “Costa Rica”. De nossa parte, esperamos um dia vê-las resolvidas, quanto às suas identidades




A Seguir – A erosão natural prossegue esculpindo o relevo do pediplano do rio Taquari, mostrando que o clima subúmido que aí impera trata de lhes arredondar as formas, passo a passo. Somente poderemos tomar como herança do passado semiárido de uns 20.000 anos passados os íngremes paredões, que ainda marcam a paisagem local






Adiante – Velhos patamares escalonados, debruçados sobre elevados paredões (frentes de cuestas), são testemunhos de fases diferenciais de deposição sedimentar, centenas de milhões de anos atrás; e de regimes igualmente diferenciados de erosão, em passado bem mais recente. Abrigam vegetação de campos sobre rochas, onde vegetam gramíneas (Poaceae), ciperáceas, xiridáceas e eriocauláceas de aspecto curioso. Não restam dúvidas sobre a importância de realizar estudos dessa flora campestre




Acima - Trimezia juncifolia (fam. Iridaceae)


Acima – A notável Norantea guianensis (fam. Marcgraviaceae) conhecida como rabo-de-arara se debruça nos íngremes paredões de arenito, enfiando suas raízes persistentes em fendas da rocha e colaborando no lento processo de degradação das velhas encostas. Suas inflorescências encarnadas representam precioso suprimento de energia aos beija-flores e pequenas aves, em meio à aridez da paisagem


Acima – A resiliente orquídea Epidendrum campestre vegeta em diversos substratos relacionados à rocha arenítica e pode ser contemplada em barrancos, ou até mesmo dependurada sobre íngremes paredões – Abaixo



Acima – Tatu-peba (Euphractus sexcintus) avistado pelo nosso guia Fabiano Ramos




Acima – Ao menos quatro indivíduos do magnífico urubu-rei  (Sarcoramphus papa)nos seguiram de longe, durante longo tempo, por vezes realizando rasantes impressionantes, para depois se afastarem novamente

Abaixo – Nosso grupo, figurando Fabiano, ao fundo, seguido por Lucinéia e Emerson, além do fotógrafo Jota, em primeiro plano



Nota do autor - Essa localidade foi posteriormente contemplada com uma sede avançada do Parque Estadual das Nascentes do Taquari, que pudemos visitar ligeiramente, em 2021, contando com execelntes instalações. Toda essa paisagem pode ser facilmente avistada hoje, a partir de belvedere sinalizado pelo Parque.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

NOVA VISITA À SERRA DA CANASTRA – MINAS GERAIS – SETEMBRO DE 2018




Cachoeira da Casca D’Anta – símbolo da Serra da Canastra


A Serra da Canastra já se transformou em destino usual, depois de tantos anos desde que a conheci (veja as postagens anteriores: https://expedicaofitogeografica2012.blogspot.com/2013/01/serra-da-canastra-laboratorio-de-campos.html ; https://expedicaofitogeografica2012.blogspot.com/2016/02/serra-da-canastra-fevereiro-de-2016-em.html  ),  não tendo sido à toa que este magnífico afloramento de quartzitos do Arco da Canastra e Brasília ajudou a fundamentar diversas seções de nosso livro – FITOGEOGRAFIA DO BRASIL (NAU Editora, 2015  vendas pelo site www.naueditora.com.br) – principalmente no que diz respeito às origens dos campos e às vegetações de campos rupestres.

Desta vez, mais uma vez a caminho do Mato Grosso, realizei uma digressão à Serra da Canastra, onde me encontrei com Elossandro Coelho, que de guia profissional se transformou em grande amigo e companheiro nas excursões pela região. Durante dois dias, vasculhamos diversos locais, entre muitos velhos conhecidos e outros ainda novidades, em busca de imagens e informações sobre a natureza canastrense.

Confira a seguir as fotos comentadas e faça mais um passeio conosco pela Serra da Canastra:

Abaixo: A primeira seção da passagem pela Serra da Canastra se deu pela sua base, na vertente sudoeste do maciço principal, onde está situada a cachoeira da Casca D’Anta, famoso postal da região. Ali, o recém-nascido rio São Francisco despenca do chapadão, para seguir viagem até sua foz, no Nordeste



A seguir – Nessa região mais baixa, situada entre os 900 e os 1.000m, a flora é marcada por espécies mescladas entre a Floresta Atlântica e o Cerrado, sendo a sucupira-preta (Bowdichia virgilioides – família Fabaceae) árvore importante e que, em nossa passagem, apresentava-se em exuberante florescimento


Acima – O abraço das árvores da Serra da Canastra


Acima – Sacoila lanceolata (família Orchidaceae)

A seguir: Panoramas cativantes da Serra da Canastra

Acima – Paisagem rural, com o guapuruvú (Schizolobium parahyba – família Fabaceae) na sede de uma fazenda e o chapadão do Parque Nacional da Serra da Canastra ao fundo

Acima – Altaneiro exemplar de macaúba (Acrocomia aculeata – família Arecaceae) sustentando ninhos pendentes de japús (Psarocolius decumanus – família Icteridae) nas folhas


Acima – Na floresta semidecidual, a linda Ouratea castaneifolia (família Ochnaceae), que já havíamos avistado no topo do Chapadão da Babilônia (ver postagem https://expedicaofitogeografica2012.blogspot.com/2013/01/serra-da-canastra-laboratorio-de-campos.html  ), em meio aos campos rupestres. A planta atrai muitas abelhas nativas

Acima – Em meio à floresta ciliar, observamos Justicia riparia (família Acanthaceae), muito comum nas florestas estacionais de altitude de Minas Gerais

Acima – Grandes exemplares de palmiteiros (Euterpe edulis – família Arecaceae) despontam no dossel da floresta estacional semidecidual ciliar da Casca D’Anta


Acima – Vista proximal do salto da Casca D’Anta. Acima dela, as nascentes do rio São Francisco, no Parque Nacional da Serra da Canastra



A seguir: Após a visita à cachoeira da Casca D’Anta, subimos o Chapadão da Babilônia, uma linha de cumeada paralela àquela do Parque Nacional da Serra da Canastra e ainda hoje em mãos de particulares, que lá conduzem pecuária tradicional. O fogo muito insistente tem ajudado a manter a paisagem de extrema pobreza fisionômica, embora capões de matas bem conservadas ainda existam



Adiante: Do cascalho quartzítico calcinado pelos incêndios repetitivos ainda emergem belas flores e plantas


Acima – Bromelia sp. (família Bromeliaceae)


Acima – Espécie comum de fabácea (leguminosa) após as queimadas

A seguir: Na faixa altitudinal dos 1.300m, surgem capões de floresta, nos quais ainda se observa vegetação bem conservada de floresta estacional semidecidual de altitude, com notáveis elementos florísticos

Acima – Sobre um fragmento de rocha preservada, em meio à floresta densa, uma população de bromélias do gênero Billbergia


Acima – Palmeirinha típica dos sub-bosques da floresta atlântica de altitude da Serra do Mar aparece também na Canastra: Geonoma schottiana (família Arecaceae)


Acima – Philodendron cf. appendiculatum é a arácea mais importante nessas florestas encravadas na paisagem campestre da Babilônia


Acima – Num terço inferior de tronco da floresta, a micro-orquídea Lankesterella cf. ceracifolia, planta delicada e exigente


A seguir: Afloramentos de rochas de quartzito, na cumeada do Chapadão da Babilônia e da Canastra revelam claramente a direção dos mergulhos clinais do velho embasamento. Antigas dobras da rocha metamórfica, formada pela gigantesca pressão das rochas ígneas subjacentes, que ascendiam com força descomunal, foram posteriormente decompostas pela erosão milenar, que hoje exibe a direção das ondas de energia de um passado de mais de 500 milhões de anos

Acima – Delicadas e vistosas Gaylussacia brasiliensis se abrigam nas frestas formadas entre as camadas de quartzito decomposto


Acimas – Detalhe de Gaylussacia brasiliensis (família Ericaceae)


Acima – Por entre as arestas laminares do quartzito da Serra da Babilônia, também se abrigam outras plantas que procuram escapar ao fogo destruidor, ateado insistentemente aos campos da região: a cactácea colunar Pilosocereus machrisii, já rara na região da Canastra



Adiante: No segundo dia desta recente visita, dedicamos nosso tempo a reexaminar o altiplano da Serra da Canastra, na área do Parque Nacional, onde também são marcantes os afloramentos avançadamente arruinados de quartzito, onde vegetam algumas espécies características dos campos rupestres


Acima – A bromélia Dyckia minarum se esconde nas partes mais isoladas da rocha, onde o fogo não chega a atingi-la diretamente



Acima e abaixo – Vriesea sanfranciscana (família Bromeliaceae) é planta endêmica restrita ao maciço. Parece ter se adaptado bem, tanto à passagem contumaz do fogo, quanto à visível predação por parte de algum herbívoro, como mostram suas folhas invariavelmente tisnadas pelas chamas e semidevoradas. Mesmo assim, floresce normalmente nesses afloramentos do topo da Canastra. Nessa época, suas flores estavam passadas




Acima – Nos campos limpos, que dominam áreas de solos rasos, sobre quartzitos fragmentados, surgem lindas surpresas, tais como a eriocaulácea Paepalanthus canastrensis, que também é planta restrita ao maciço da Serra da Canastra.
Abaixo – Detalhe de Paepalanthus canastrensis



A seguir: Os cenários da Serra da Canastra são mesmo estonteantes, lançando vistas de grande profundidade, nas quais os campos limpos são o pano principal da paisagem, entremeados por capões ou agrupamentos de arvoretas cinéreas, como as candeias (Eremanthus spp. – família Asteraceae)




Abaixo – Em meio à macega densa dos campos sobre rochas (que são a natureza dessa vegetação limpa da Canastra), despontam flores vistosas de velosiáceas violeta



Acima – Vellozia intermedia (família Velloziaceae), numa área recentemente queimada dos campos limpos da Serra da Canastra


Acima – Lindas flores emergem apressadas, dos restos calcinados dos incêndios campestres da Serra da Canastra – Lippia cf. lasiocalycina da família Verbenaceae


Acima – Trimezia juncifolia (família Iridaceae)


Acima – Curioso ornamento ao redor de uma jovem eriocaulácea da Serra da Canastra, provavelmente formado por atividades de formigas


A seguir – A presença de meu amigo Elossandro Coelho, da Caminhos da Canastra, despertou os ingredientes ornitológicos da expedição, tendo sido fotografadas algumas aves:

Acima – Ariramba-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda – família Galbulidae), na floresta da base da Casca D’Anta

foto - Elossandro Coelho
Acima – O célebre e raro galito (Alectrurus tricolor – família Tyrannidae) interpreta incríveis exibições territoriais-nupciais, na Serra da Canastra


Acima e abaixo – Pudemos ficar relativamente próximos de uma forma juvenil da portentosa águia-serrana (antes conhecida como águia-chilena – Geranoaetus melanoleucus – família Accipitridae)




Acima e abaixo – O raríssimo e ameaçado inhambu-carapé (Taoniscus nanus – família Tinamidae), avezinha minúscula e arisca, que somente nos foi dado observar por imensa sorte



Acima – Elossandro Coelho, da agência Caminhos da Canastra: guia confiável e experiente na Serra da Canastra, além de um grande amigo. Conhecedor da geografia e especialmente das orquídeas e das aves da região

Abaixo - Orlando Graeff – autor do blog – examinando a vegetação de campos da Canastra, num trecho bem conservado.


Acima – O trabalho prazeroso na Serra da Canastra