Reveja outras expedições

UMA VISITA À ILHA GRANDE – RIO DE JANEIRO – JUNHO DE 2017

No dia 25 de junho de 2017 , partimos Cledson Barboza , Maurício Verboonen e eu, no rumo da Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro,...

domingo, 8 de abril de 2018

SERRA DOS PIRINEUS - GOIÁS - PARTE II: VISITANDO AS CACHOEIRAS DOS DRAGÕES, NA SERRA DOS PIRINEUS, GOIÁS – MARÇO DE 2018


Acima – A cachoeira denominada Dragão Verdadeiro, na reserva das Cachoeiras dos Dragões, é um tesouro de belezas cênicas e riqueza botânica

Se me fosse pedido um exemplo notável de ambiente natural, no qual se pudesse estudar o cerrado rupestre de altitude, talvez me viesse à mente a famosa Chapada dos Veadeiros, centenas de quilômetros acima de Brasília (DF), hoje protegida pelo Parque Nacional de mesmo nome. Contudo, se fosse necessário um lugar de relativamente fácil acesso aos pesquisadores e universitários da Capital federal, ou de Goiânia (capital de Goiás e uma das principais cidades do Centro-Oeste), eu teria sugestão bastante significativa: a reserva das Cachoeiras dos Dragões, ao largo da pequena e bucólica Pirenópolis, cidade histórica goiana.

Na véspera de minha visita a este belo lugar, meu guia Paulo Padilha, que me guiara pelo ecossistemas da bromélia Tillandsia barrosoae (ver postagem anterior - http://expedicaofitogeografica2012.blogspot.com.br/2018/04/serra-dos-pirineus-goias-parte-i.html ), impossibilitado de acompanhar-me neste segundo dia de expedição, recomendara a visita à reserva das Cachoeiras dos Dragões. Sua advertência de que a entrada no local se veria acompanhada de severas restrições, tais como não fumar, não beber ou carregar bebidas alcoólicas e aparelhos de som; ou de não portar facas e outros instrumentos do tipo; e de guardar silêncio e respeito ao ambiente, operou efeito exatamente inverso ao que faria em boa parte dos potenciais visitantes – desejei ainda mais conhecer lugar como aquele!

A reserva (em fase de reconhecimento como RPPN) pertence  ao Mosteiro Budista Zen Eisho-ji, que abriga seguidores desta linha do Budismo, sendo principalmente mulheres, que guardam o lugar com extremo cuidado e simplesmente não permitem a entrada em termos contrários aos acima expostos. Isso seguramente tem mantido longe visitantes que não se coadunam com os princípios conservacionistas e vem servindo para conservar esplendidamente sua natureza pródiga. Contando com ao menos umas oito belas cachoeiras, a reserva abriga flora biodiversa do Cerrado, além de fauna importante, como viria a constatar, mais tarde.

O principal atributo botânico da área, sem qualquer dúvida, é o estado de conservação de extensos fragmentos daquela vegetação de cerrados rupestres de altitude, que vem sendo reputada como possível polo difusor de espécies adaptadas, que teriam ocupado importantes nichos ecológicos na vegetação do cerrado stricto sensu (aquela forma de cerrado aberto e savanizado). Ao longo do Terciário Superior e do Quaternário, a progressiva dominação do Clima Tropical do Brasil Central teria promovido a expansão dessa tipologia, que viria a se tornar a matriz do Bioma Cerrado. Em meu livro FITOGEOGRAFIA DO BRASIL, UMA ATUALIZAÇÃO DE BASES E CONCEITOS (NAU Editora, 2015 – ver link http://expedicaofitogeografica2012.blogspot.com.br/2015/10/o-livro-fitogeografia-do-brasil-uma.html), tratei este tema com muito cuidado e surgia agora, uma vez mais, oportunidade de conferir as hipóteses com as quais trabalhei.

Aproveite, a seguir, um pouco das belas imagens da reserva das Cachoeiras dos Dragões, em Pirenópolis, acompanhadas como de costume pelas observações a respeito de sua natureza:

A Seguir – As velhas camadas de quartzito, que um dia andaram sepultadas sob densos mantos sedimentares Pré-Cambrianos (alguns dos mais antigos do Planeta), foram exumadas por admiráveis torrentes erosivas do Terciário Superior e Quaternário, deixando-se então colonizar por incontáveis espécies de plantas adaptadas à severa radiação solar do Brasil Central; que formaram comunidades características – surgia o cerrado rupestre, que passou a se adaptar igualmente à crescente elevação de altitude relativa, ao sabor da elevação epirogênica do Brasil Oriental e se transformou no CERRADO RUPESTRE DE ALTITUDE


Acima – Interessante mosaico de paisagens relacionáveis ao cerrado rupestre de altitude, na Serra dos Pirineus (Cachoeiras dos Dragões), sendo possível divisar, em primeiro plano, a vegetação típica; além de campos úmidos, vegetações ciliares (nos canais de rios) e até mesmo fragmentos de cerrado stricto sensu, nas cimeiras planálticas ao longe


Acima – Por sobre as fendas e placas fragmentares de quartzito, surgem árvores adaptadas, que são capazes de se espremer pelas brechas profundas, descendo a dezenas de metros, para buscar seu sustento fundamental: água e nutrientes (em primeiro plano – o cajuí Anacardium humile, da família Anacardiaceae). Entre elas, jardins de pedras e de plantas criticamente adaptadas


Acima – Um exemplar de pau-papiro (Tibouchina papyrus – Família Melastomataceae) se espreme insistentemente entre as bordas de uma rachadura na rocha, no cerrado rupestre de altitude


Acima – Cenário típico do cerrado rupestre de altitude, nas Cachoeiras dos Dragões


Acima – O fator determinante para surgimento dos campos limpos, neste lugar, parece mesmo ser a saturação de umidade, sob solos muito rasos, que cobrem duríssimo embasamento rochoso. O surgimento e orientação dos canais fluviais (centro), assim como de lajes coesas de quartzito escurecido (ao fundo, nos campos) confirma o diagnóstico. Podem ser avistadas velhas cimeiras planáltica de chapadas erodidas, onde vegetam cerrados típicos


Acima – Cenário dramático, conquanto belo, no qual o colo de uma arvoreta se espessou, originando volumoso calo suberoso, que funciona como entreposto de passagem da seiva bruta, vinda das profundezas da terra


Adiante – Pavimentos do mais duro quartzito se fragmentam de modo até decorativo e abrem espaço para plantas herbáceo-arbustivas adaptadas ao ambiente extremo do cerrado rupestre. As plantas da família Velloziaceae, como essas Vellozia cf. flavicans, são elementos importantes e caracterizam a paisagem






Anteriores – Flores de Vellozia cf. flavicans


A SeguirVellozia caruncularis é a espécie de menor porte da família, no cerrado rupestre de altitude e vegeta em finos substratos de areia quartzítica alva



Adiante – Outro elemento característico da paisagem dura do cerrado rupestre de altitude das Cachoeiras dos Dragões é a cactácea Pilosocereus vilaboensis, que também abunda nos matacões de afloramentos visitados na véspera




A Seguir – O aspecto mais notável das relações do homem com os cerrados rupestres de altitude da Serra dos Pirineus é a tradicional mineração da chamada Pedra de Pirenópolis, que nada mais é que a lâmina desplacada do quartzito, que se presta admiravelmente bem à construção civil: pisos, bordas de piscinas e até pavimentos rodoviários são confeccionados com essas pedras, que são retiradas da natureza, entre outros lugares, na estrada que conduz à reserva das Cachoeiras dos Dragões



Acima – Cava de extração de pedras de Pirenópolis, que terminou represando a água que circula sob o solo, formando um lago, com águas cristalinas. Ao fundo, parte da reserva das Cachoeiras do Dragão e terras limítrofes


Acima – No interior da reserva das Cachoeiras dos Dragões, antiga lavra de pedras de Pirenópolis forma como que decorativo monumento-testemunho, onde as pedras extraídas se amontoam sobre a lavra, confundindo-se os dois estratos

Abaixo – A marcgraviácea Schwartzia  adamantium pode variar de porte, entre um arbusto que se debruça sobre matacões de pedras e até uma arvoreta de porte considerável, tal como esta da foto



Acima – A bela Cuspidaria sceptrum (Família Bignoniaceae), que decora o ambiente árido do cerrado rupestre, na Serra dos Pirineus


Acima – Allamanda angustifolia (Família Apocynaceae)


Acima – Curiosa orquídea do gênero Habenaria, no ambiente intersticial do cerrado rupestre de altitude


Acima – Lindas flores da melastomatácea Chaetostoma stenocladon


Acima – Ipomoea sp. (Família Convolvulaceae)


Acima – Flores de Kielmeyera cf. coriacea (Família Calophyllaceae) – pau-santo



Acima – Chresta speciosa (Família Asteraceae)


A Seguir – Os mais esplêndidos cenários da reserva são mesmo as suas cachoeiras, todas tendo recebido nomes relacionados ao Dragão, figura importante para os budistas, com todo seu simbolismo. Todas se encontram admiravelmente conservadas, praticamente sem qualquer sinal de degradação. Veja algumas delas:

Abaixo – Cachoeira Dragão do Céu, com límpido poço de águas cristalinas e esverdeadas



Abaixo – Uma das mais belas e altas, a Cachoeira Dragão Verdadeiro, com paredões rochosos repletos de plantas


Abaixo – A Cachoeira Dragão Voador, também uma das mais altas e bastante elevada em altitude



Acompanhe os links de alguns vídeos que efetuamos, na reserva das Cachoeiras dos Dragões, que dão excelente ideia dos cenários visitados:




Adiante – Alguns elementos florísticos acompanham a vegetação luxuriante das faixas marginais dos rios, beneficiando-se da umidade e da regularidade de temperatura da floresta


Acima – Philodendron cf. mello-barretoanum (Família Araceae)


Acima – Dois estipes delgados dos palmiteiros Euterpe edulis (Família Arecaceae) se superpõem na fotografia, fazendo parecer palmeira única, com duas frondes, numa elegante ilusão de ótica


Acima – Densas touceiras de Philodendron mayoi (Família Araceae) recobrem as paredes da Cachoeira Dragão Verdadeiro, tirando partido do ambiente saturado de umidade.
Abaixo – Philodendron mayoi também vegeta de forma própria, como epífita, nos troncos que cercam o salto




Acima – Infelizmente, toda essa riqueza das matas ciliares das Cachoeiras dos Dragões vem retrocedendo, ano após ano, mercê de incêndios criminosos, ateados por fazendeiros limítrofes, nos meses mais secos e quentes do ano. Neste trecho, observa-se destruição total da floresta, após o último incêndio



Anteriores – Exemplares da palmeira acaule Attalea cf. exigua, que é o catolé ou indaiá-do-campo. Goiás é rica em palmeiras, que ainda demandam estudos botânicos e vêm revelando novidades


Acima – Sobre as rochas que circundam a Cachoeira Rei do Dragão, observam-se exemplares floridos de uma velosiácea do gênero Barbacenia

 A Seguir – Exatamente nesta área mais elevada da reserva, foi observado o admirável urubu-rei (Sarcoramphus papa – Família Cathartidae), uma das aves mais ameaçadas de nossa fauna. Esta ave vem experimentando boas condições de conservação, na reserva das Cachoeiras do Dragão, o que deve ser considerado fato relevante








Acima – O autor Orlando Graeff junto à Cachoeira Dragão Verdadeiro 

Abaixo – A bucólica Pirenópolis é destino dos mais agradáveis, no Centro-Oeste




terça-feira, 3 de abril de 2018

SERRA DOS PIRINEUS – GOIÁS – PARTE I: EXCURSÃO AO HABITAT DE TILLANDSIA BARROSOAE



Acima – Inflorescências da bromélia Tillandsia barrosoae, espécie endêmica da Serra dos Pirineus


Durante uma visita ao Herbarium Bradeanum (HB), no Rio de Janeiro, em agosto de 1997, o pesquisador Walter Till, do Instituto de Botânica da Universidade de Viena, na Áustria, deparou com algumas bromeliáceas do gênero Tillandsia ali depositadas, que haviam sido coletadas anos antes (1967) pela Professora Graziela Maciel Barroso e que carregavam uma identificação feita por Lyman Smith – Tillandsia lorentziana.     W. Till percebeu que tal identificação era equivocada e que a planta pertencia a outro grupo de Tillandsia, relacionado a Tillandsia didisticha, cuja área natural de ocorrência girava ao redor da fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia, bem longe do local onde Dona Grazi coletara os espécimes depositados – Serra dos Pirineus, Goiás.

Essa bromélia foi publicada como uma nova espécie para a ciência, em 1998, na Revista Bromélia, da Sociedade Brasileira de Bromélias-SBBr, tendo sido batizada por Till como Tillandsia barrosoae, em homenagem merecida a sua coletora, já então considerada a mais importante botânica da América do Sul. Poucos anos depois, em 2001, eu visitaria uma parcela da área de ocorrência dessa planta, próximo a Pirenópolis, em Goiás, tendo sido, contudo, uma passagem muito rápida. Retornando então do Mato Grosso, em março de 2018, intuí que as encontraria em flores, o que me levou a desviar um pouco minha rota, até a região, na esperança de fazer registros fotográficos e de investigar um pouco melhor a fitogeografia da Serra dos Pirineus.

Não as achei floridas, mas não deixei de aproveitar tão bem a oportunidade de examinar seu habitat e averiguar seu status de conservação, além da flora a ela associada, que é bastante singular. Tillandsia barrosoae é espécie endêmica da Serra dos Pirineus, não sendo muito ampla sua área de ocorrência, mesmo dentro do próprio maciço rochoso quartzítico, relacionado ao Arco da Canastra - Brasília, uma disjunção metamórfica da extensa Serra do Espinhaço, que abriga os domínios dos Campos Rupestres.

Veja a seguir os aspectos comentados desta excursão memorável:

A seguir – A Serra dos Pirineus é encimada por afloramentos de quartzito, que sugerem ser resultado de velhos desnudamentos erosivos do Arco da Canastra – Brasília, afetados por fases de diaclase, o que produz paisagens rochosas muito difíceis de serem examinadas. Fendas e profundos espaços acarretam risco de vida ao excursionista, mas ajudam a preservar Tillandsia barrosoae, em pontos onde as mãos não alcançam





Acima – Tillandsia barrosoae é uma bromélia essencialmente litofítica. Nenhum exemplar sequer podia ser observado fora deste substrato, mesmo tendo Tillandsia streptocarpa vegetando lado a lado, sem que uma se misturasse à outra


Acima – Alguns exemplares de Tillandsia barrosoae se escondem em frestas, ou sob extensões dos quartzitos

Acima – Ameaçadores amontoados de rochas parecem ter sido dispostos por mãos humanas. Tillandsia barrosoae vegeta sobre a superfície dura das pedras, tolerando variações diurnas de temperatura e umidade que outras plantas não suportariam

Acima – A pequena e brava bromélia litofítica mostra sinais de renovação de sua população, sendo encontrados exemplares jovens, lado a lado com outros adultos, nas mais diversas fases de desenvolvimento – a COLETA CRIMINOSA, para fins comerciais, assim como para coleções particulares, parece ser seu principal inimigo atual

A seguir – Algumas outras plantas características dos afloramentos rochosos do Centro-Oeste fazem companhia a Tillandsia barrosoae, sendo as mais notáveis: Aechmea bromeliifolia (Bromeliaceae), Pilosocereus vilaboensis (Cactaceae) e diversas espécies de Vellozia spp. (Velloziaceae). Arvoretas como Clusia criuva, Clusia burchellii (família Clusiaceae) e Schwartzia adamantium (família Marcgraviaceae) formam a maioria do estrato dominante



Acima – Portentosos exemplares da bromélia Aechmea bromeliifolia vegetam sobre patamares de rocha, embora também habitem galhos e troncos, em meio às arvoretas

Acima – A delicada orquídea Bulbophyllum epiphyticum também aparece, ora crescendo sobre galhos e troncos, ora vegetando nas frestas da rocha, junto de Tillandsia barrosoae

Acima – A gesneriácea Sinningia aggregata, com corpulentos tubérculos, é comum na flora da Serra dos Pirineus

Acima – Delicadas flores alaranjadas de Alstroemeria cf. viridiflora (família Alstroemeriaceae), nos rochedos da Serra dos Pirineus

Adiante – Os cladódios do cacto Pilosocereus vilaboensis são espetáculo à parte, na paisagem dentre as rochas da Serra dos Pirineus, exibindo formas esculturais ou formando elegantes conjuntos






Abaixo – A micropaisagem formada por emaranhados de troncos e galhos de elegantes arvoretas confunde os olhos, sendo por vezes difícil discernir o que são plantas do que são pedras


A Seguir – O substrato geral, ao redor dos afloramentos rochosos, é mesmo de litossolos ou amontoados clásticos, onde a pedra quartzítica é o elemento mais marcante. A vegetação que se expressa é aquela conhecida como cerrado rupestre de altitude, podendo abrir espaço a campos sobre rochas, campos entre rochas (campos rupestres) e outras intergradações, nas quais a flora é mesmo do Cerrado

Acima – Na borda de afloramentos, observam-se arvoretas de Mimosa regina (família Fabaceae), agrupadas em populações quase homogêneas e espetadas na pradaria aberta

Acima – Elegante exemplar da melastomatácea conhecida como papiro (Tibouchina papyrus), que se diz ser um dos símbolos de Pirenópolis

Acima – Aspecto de complexo de campos sobre rochas (um campo úmido), observando-se exemplar da pequena palmeira acaule Butia archeri, em meio à macega

Acima – A linda voquisiácea Vochysia rufa, com suas flores amarelas-douradas, contra a paisagem de cerrados abertos

Acima – A orquídea Epistephium sclerophyllum prefere as bordas ensolaradas dos canais dos riachos cristalinos, vegetando acima da floresta ciliar

Acima – Uma das dezenas de cachoeiras que surgem em meio à paisagem de cerrados rupestres e campos de cerrado da Serra dos Pirineus

Acima – Interior da floresta ciliar, ao redor de um poço de águas cristalinas da Serra dos Pirineus

Acima – O autor Orlando Graeff examinando exemplar da bromélia Dyckia cf. weddelliana, em meio ao cerrado rupestre de Pirenópolis

Abaixo – Paisagem campestre da Serra dos Pirineus, destacando o famoso Morro do Cabeludo, forma de rochedo testemunho de quartzito, que marca a área mais elevada do Parque Estadual dos Pirineus, a mais de 1.300m de altitude



Agradecimento – ao meu guia Paulo Padilha, que me conduziu com segurança a todos os ecossistemas da Serra dos Pirineus

PRÓXIMA POSTAGEM – CONHECENDO AS CACHOEIRAS DO DRAGÃO, NA SERRA DOS PIRINEUS