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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

COSTEIRA DE ZIMBROS, BOMBINHAS – dezembro de 2015

Em 15 de dezembro de 2015, realizamos uma excursão pela Costeira de Zimbros, no município de Bombinhas, em Santa Catarina, para conhecer um dos trechos mais conservados de ecossistemas de floresta atlântica de encosta marítima do litoral deste estado. Essa área está situada entre a praia de Zimbros, ainda em Bombinhas, e o município de Tijucas, no qual se encontra inserida parte da trilha que utilizamos.

Eu conhecera esta região, ainda nos anos 1970, quando a buscava para desbravar novas praias, com outros surfistas, nos tempos em que toda ela era semisselvagem e conhecida sob a denominação geral de Porto Belo. Bombinhas, hoje sede de florescente município, não passava então de uma praia selvagem e deserta. Não nos seria possível fazer esta proveitosa excursão, se não tivéssemos sido guiados pela amiga Irany Ornellas, com quem dividira os bancos escolares, no Rio de Janeiro, e que atualmente reside em Bombinhas, sendo grande conhecedora de sua natureza e geografia.

A Costeira de Zimbros representa exemplo magnífico de costa recortada, na qual surgem lindas praias desertas e calmas, todas elas surpreendentemente bem conservadas. Oficialmente, está imune ao corte, por força da embrionária implantação de unidade de conservação. Porém, parece mesmo ter sido a resistência dos moradores e simpatizantes a razão maior para não ter sido ainda entregue aos empreendimentos imobiliários, que já transformaram irreversivelmente todo o litoral catarinense, nos últimos quarenta anos.

Nas imagens a seguir, pode ser apreciada a natureza da Costeira de Zimbros, através de nossas observações sobre sua geografia, suas plantas e suas paisagens:

A Seguir – Paisagens paradisíacas não faltam à Costeira de Zimbros, que é acessível através de uma trilha com mais de uma dezena de quilômetros, entre Bombinhas (Praia de Zimbros) e Tijucas. Sua característica mais marcante é a formação de costões em blocos arredondados de granito rosa, herdados de passado remoto frio e seco. Sobre eles, vegeta variada flora, tirando partido da luz, que a mata não lhe pode roubar






Acima – O regime de marés, gradualmente modificado, ao longo dos últimos vinte mil anos, pelo menos, originou lagunas encarceradas, entre o mar e as montanhas, de onde provém água doce. Na Praia da Lagoa, se oferece aos olhos exemplo perfeito deste tipo de feição geomorfológica, podendo ser vista a rocha, que aflora em determinados trechos, formando o embasamento que impermeabiliza o fundo e guarda represada a água pura dos rios, até ser levada ao mar.

AbaixoSophora tomentosa (família Fabaceae) é uma planta característica das barras arenosas que resguardam o reservatório natural da Praia da Lagoa. Suas flores amarelas e vagens características são muito decorativas e justificam porque a planta é utilizada em projetos jardinoculturais, em diversas partes do Sudeste, onde ela também ocorre



Acima - Sophora tomentosa fechando a barra da laguna da Praia da Lagoa

Adiante – Sobre os monumentais blocos de granito, surgem populações de plantas muito interessantes. O naturalista F. C. Hoehne já havia observado essas plantas, quando percorreu a região, na primeira metade do Século XX, em busca de suas orquídeas. Certamente, em muito já se alterou este magnífico tesouro, desde então. Mas, ainda se podem notar algumas atraentes espécies rupícolas (que vegetam sobre rochas)


Acima – Philodendron bipinnatifidum (Araceae) desponta como elemento notável, sobre os matacões rochosos da Costeira de Zimbros
Abaixo – Cactáceas, como Lepismium cf. cruciforme, adaptam-se maravilhosamente bem ao ambiente criado por estas imensas pedras roladas, associando-se a bromélias como Aechmea nudicaulis. Outrora, grandes populações da orquídea Cattleya intermedia habitaram o topo dessas rochas, até na Ilha de Santa Catarina (Florianópolis), sendo em grande parte coletadas, para suprir o comércio de plantas, ainda no Século XX



Acima – Em nossa busca por orquídeas, deparamos com raros exemplares de Cattleya intermedia, como este da foto, pejado de cicatrizes de Tentecoris (um inseto que lhes suga as folhas, causando manchas permanentes). Suas flores são vistosas e foram razão de sua coleta indiscriminada (foto abaixo – em cultivo pelo autor)



 A Seguir – As micropaisagens propiciadas pela abertura de luz, à beira do mar, na Costeira de Zimbros, fazem surgir belos arranjos de plantas, que ocupam árvores e rochas

Acima – A bromélia Aechmea nudicaulis

Acima – Cactáceas epifíticas tiram partido do suporte das arvoretas inclinadas sobre a praia, para vegetar esplendidamente, formando grandes caramanchões naturais

A Seguir – O interior das florestas baixas, mas densas, da Costeira de Zimbros também revela magníficos encontros com as plantas da floresta de transição subtropical

Acima – Allamanda cathartica (Apocynaceae), um arbusto muito nosso conhecido, nos jardins residenciais

Acima – Bomarea edulis (Alstroemeriaceae), outra joia jardinocultural, em seu ambiente natural, na floresta de Zimbros

Acima – Marantáceas de folhas musiformes e flores vistosas, como esta Stromanthe sp. (cf. S. tonckat) enfeitam o coração das florestas escuras, onde o calor do verão úmido de Santa Catarina se torna mais suportável

Acima – Heliconia velloziana (Heliconiaceae), que vínhamos encontrando, desde o litoral de São Paulo, no coração das florestas mais densas e úmidas, estava presente ali, ao longo dos riachos encachoeirados da Costeira de Zimbros

Acima – A bromélia Wittrockia superba, com suas características “unhas pintadas”, recobria grandes superfícies de rochas e troncos

Abaixo – Clareiras deixadas por velhos roçados traíam a presença humana na Costeira de Zimbros, mostrando as consequências do desequilíbrio causado por atividades danosas ao meio: pinheiros-americanos (Pinus elliottii) dominam o ambiente iluminado, impedindo a volta da mata nativa. Samambaias do gênero Sticherus (=Gleichenia, família Gleicheniaceae) recobrem áreas de solos degradados e resguardam a continuidade do domínio das coníferas importadas


A Seguir – As praias da Costeira de Zimbros, por representarem ambiente convidativo, mostram sinais de velhas e novas ocupações humanas

Acima – Antigo muro de pedra testemunha a ocupação pretérita da Praia Vermelha, na Costeira de Zimbros

Acima – Quem saboreia deliciosos mariscos, nos bares e restaurantes urbanos, deveria vir à Costeira de Zimbros, para encontros pitorescos como este, em que vemos a esposa de um cultivador desses deliciosos bivalves, a cozinhar e limpar os mexilhões que seu marido colhia, nos cultivos organizados.

Abaixo – Não é assim tão recente a presença de seres humanos, nesta região do litoral. Os mesmos paleoíndios, que produziam os sambaquis (ver postagens anteriores), afiavam seus instrumentos líticos em pedras como essa, à beira-mar, chamadas de “brunidores”.


A Seguir - Mais algumas paisagens, em escalas diversas, da Costeira de Zimbros, em Bombinhas, onde contemplação e história natural andam juntas



Acima - Habranthus robustus (= Zephyrantes robusta - família Amaryllidaceae), em meio à vegetação rasa da restinga litorânea, em Zimbros

Acima – Irany Ornellas é uma entusiasta de Bombinhas e de suas belezas naturais. Aos seus olhos, qualquer coisa pode revelar lindas fotos, que produz continuamente, publicando-as e ajudando a divulgar sua terra escolhida. Muito obrigado pela excepcional acolhida, Irany.

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