quinta-feira, 26 de abril de 2012

SERRA DA CAPIVARA – AS CHAPADAS DO PASSADO


               Em 21 de abril, cheguei à Serra da Capivara, que divide os ambientes do médio Vale do São Francisco, abaixo, das caatingas do Piauí, ao norte. Para oeste, ela representa a principal divisa entre as caatingas hiperxerófilas de Pernambuco, que acabara de visitar, e os cerrados do Maranhão e Tocantins. Sua importância, para mim, não se resumiria apenas a uma mera fronteira fitogeográfica. A presença do homem, na região, é das mais bem documentadas de nosso território, havendo hipóteses que a levam desde 12.000 anos, até algumas dezenas de milhares de anos antes do presente.

               A influência do ser humano sobre a Geografia Botânica do Brasil é indiscutível, tanto no presente, quanto no passado mais longínquo. Estar ali, na Serra da Capivara, me levaria a importantes reflexões sobre o que representou a presença humana nas Américas, desde que se iniciou este processo, tão antes de nossa chegada histórica no Continente.

               Fui atenciosamente acompanhado por meu mais novo velho amigo, Maxim Jaffe, grande conhecedor da Serra da Capivara, que me foi gentilmente indicado por Pedro Labanca, em Petrópolis. Maxim não me deixou um instante sequer sem proveitosas atividades, ao longo dos mais notáveis ambientes da região. Seguramente, terei muito a mostrar, em minha obra, sobre este magnífico lugar, situado no perímetro semiárido do Piauí. Por ora, ficam algumas imagens, poucas, eu admito, para não causar enfado em meus amigos.

Fotos abaixo: As paisagens da Serra da Capivara são estonteantes e congregam antigas superfícies de aplainamento sobre bacias sedimentares muito antigas. Algumas delas são constituídas de conglomerados de seixos rolados, recimentados e novamente erodidos, durante o Terciário tardio e o Quaternário. Permitiram proveitosas observações sobre as relações da vegetação semiárida da região e suas diversas formas e feições.








Abaixo: A famosa Pedra Furada, que emprestou o nome ao mais famoso sítio arqueológico da Serra da Capivara




Abaixo: Mesmo com o avançado e a gravidade da seca, que também assolava o sul do Piauí, onde está a Serra da Capivara, a vegetação nativa seguia seu ciclo natural e apenas iniciava a sua perda de folhas, que começa com uma intensa mudança de cores. Destaca-se uma árvore, bastante numerosa, chamada bilro (Diptychandra epunctata), cujas folhas fazem lembrar árvores europeias, em pleno outono.








A Seguir: A árvore chamada canela-de-velho (Cenostigma cf. gardneriana) é de notável importância fitossociológica, na vegetação de carrascos ou florestas-miniatura da Serra da Capivara. Por seu aspecto ornamental, não há como deixar de atrair atenção, em meio à secura do ambiente. Poucas árvores poderiam ser tão atraentes.



 A Seguir: Ambientes cársticos (calcários), similares aos que eu já avistara, entre Unaí e o Vale de São Francisco, em Minas Gerais, carregam flora de bromélias e exibem formas incríveis, comprovando a influência de épocas úmidas do passado. As bromélias Encholirium spectabilis, extremamente espinhentas, estão ali presentes, junto a cactáceas, mostrando sinais inequívocos do domínio semiárido do Nordeste.




A Seguir: Os incríveis laços com o passado - As pinturas rupestres, com significados enigmáticos, que vêm sendo estudados, em todo o Mundo.








O incrível sítio da Pedra Furada, onde foram escavados vestígios de fogueiras com dezenas de milhares de anos. A infraestrutura é inigualável, permitindo contemplação proximal da bela arte rupestre.












Um comentário:

  1. Sensacional Orlando. O lugar é realmente fantástico e têm uma energia incomum. Fiz toda a trilha até chegar na parte alta onde tem o mirante. A imagem é de perder o fôlego e impossível de ser registrada em sua total beleza por uma máquina.
    Com certeza eu jamais vou me desviar da minha essencia e estou sempre buscando a beleza da natureza. Olha nos meus álbuns "Guaraqueçaba". Fiz uma trilha incrível no ano passado e o lugar também é dos Deuses....

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